Você piscou e Goiás já começou a treinar seus servidores para a era da inteligência artificial.
No meio do burburinho do SECOP 2025, evento que reuniu líderes de tecnologia em Goiânia, o subsecretário de TI do estado, Márcio Cesar Pereira, revelou o plano ousado: iniciar ainda este ano a formação de 2 mil servidores públicos em IA, com metas de alcançar até 40 mil profissionais por meio de ensino presencial e EAD.
O projeto vai muito além de um curso básico. A proposta é transformar a IA em um ativo estratégico do estado, capacitando servidores de todas as áreas, não importa se o profissional é da saúde, educação ou administração.
“Vamos estruturar tudo até dezembro. O servidor vai criar carreira com base em IA. Queremos atrair, desenvolver e reter talentos nesse campo”, disse Márcio em entrevista exclusiva ao CDCast/SecopCast.
O diferencial? A IA usada nas capacitações será desenvolvida internamente, com base na tecnologia open source LLaMA. Ainda assim, o estado não pretende proibir ferramentas amplamente conhecidas como o ChatGPT. O objetivo é dar autonomia ao funcionalismo público, permitindo que a IA seja aplicada no dia a dia, de forma prática e segura.
Essa movimentação vem logo após Goiás ter se tornado o primeiro estado do Brasil a aprovar uma lei própria de Inteligência Artificial, criando um ambiente regulatório mais acolhedor para o setor. Para Márcio, a proposta nacional do Marco Legal da IA peca por burocratizar demais e atender a interesses restritos.
“O que o Brasil está escolhendo para a sua IA? Parece uma lei feita para agradar advogados. A nossa legislação foi pensada para quem quer criar IA com segurança”, critica.
Além disso, o subsecretário alerta para o impacto da Reforma Tributária, que exigirá uma reformulação tecnológica profunda nos sistemas públicos — algo que preocupa, mas também motiva o avanço digital.