O Setor Central de Goiânia fechou março com a maior valorização imobiliária da cidade. Segundo o Índice FipeZAP de Venda Residencial, a região subiu 15,5% em 12 meses, mais de cinco vezes acima da média da capital, que ficou em 2,87% no período.
O resultado confirma o que corretores e incorporadoras já sentiam na prática: o Centro deixou de ser sinônimo de esvaziamento e virou a aposta mais quente do mercado.
Um bairro que volta a pulsar
Para Felipe Melazzo, presidente executivo da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (AdemiGO), o número reflete o potencial estrutural da região. Segundo ele, o Centro precisa ser tratado como “um bairro pujante, com moradia, comércio, bares, restaurantes e atividades culturais”.
A infraestrutura já existe, com transporte, iluminação e redes de água e energia, mas a ocupação residencial segue baixa. Entre as propostas em discussão com a prefeitura, universidades e Câmara Municipal estão feiras noturnas na Avenida Goiás, recuperação de becos como o Beco da Codorna, mais espaços públicos ativos e agenda cultural e gastronômica.
O avanço também aparece do lado empresarial. O vice-presidente da CDL Goiânia, Florêncio Henrique Rezende, diz que o comércio já percebe o movimento, mas que segurança e mobilidade urbana ainda precisam avançar para consolidar a retomada.
Programa da prefeitura ajuda a puxar a demanda
Parte da virada tem nome: Morar no Centro. O programa da Prefeitura de Goiânia subsidia 50% do valor do aluguel por até três anos e isenta o IPTU no mesmo período para quem se muda para o Setor Central. A meta é ocupar 3 mil unidades na região e dobrar a população local, hoje em 9 mil moradores, para 18 mil.
O impacto médio estimado pela prefeitura é de R$ 800 por mês em benefícios por morador, somando auxílio-aluguel e economia de imposto.
Quanto vale o metro quadrado hoje
No recorte geral, Goiânia teve alta de 0,50% em março, acima da prévia da inflação, o IPCA-15, de 0,44%. No acumulado do ano, a valorização chega a 0,88%, e o preço médio do m² na capital está em R$ 8.166, um dos mais altos do Centro-Oeste, ainda abaixo da média nacional do FipeZAP, de 5,62% em 12 meses.
No Centro, empreendimentos lançados em 2020 a R$ 5 mil o m² hoje saem por R$ 8.500, e as unidades decoradas chegam a R$ 10.500, alta de quase 70%. Para os diretores da Somos Incorporadora, Paulo Silas Ferreira e Ricardo Maciel, parte do movimento vem da correção pelo INCC, mas a valorização real gira em torno de 20%.
Incentivo fiscal e segurança destravam a região
O pacote de incentivos do ex-prefeito Rogério Cruz também pesa: isenção de IPTU por cinco anos, mais redução de 40% por outros cinco, e isenção de ITBI, que normalmente representa 2% do valor do imóvel, na primeira escritura. Os compradores vão de aposentados a professores universitários e investidores de Airbnb, atraídos pela proximidade com faculdades e comércio.
A segurança melhorou perto da Catedral e do Liceu, região que hoje tem pizzarias, bares e praças reformadas. A prefeitura também comprou prédios para instalar órgãos públicos, o que deve levar mais de 1.500 servidores para o Centro.
Quem já pensa em morar ou investir em imóveis em Goiânia encontra no Centro uma combinação rara: preço ainda competitivo perto dos bairros com o condomínio mais caro da cidade, e um ciclo de valorização que, pelos números de março, ainda está em curso.